Keblinger

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Tardes

| terça-feira, 5 de julho de 2011



"É numa destas tardes que eu me pergunto,
como o branco pode ser tão branco
como o preto pode ser tão preto
sem matizes, sem descanso.


É numa destas tardes que eu me pergunto,
como a solidão pode ser tão povoada
como a tristeza pode ser tão sozinha
sem resposta, sem trégua.



É numa destas tardes que eu me pergunto,
como posso eu ser tão múltipla
como posso eu ser tão única
sem espaço, sem saída.



É numa destas tardes que eu me pergunto,
como pode ser o cigarro tão curto
como pode ser longo um único minuto
sem renúncia, sem grito.


É numa destas tardes que eu me pergunto,
porque vivo destas tardes,
sem revolta, sem parada.

Porque estas tardes se alojam em mim,
sem licença, sem luta, sem motivo?"

Texto de Eleonora Rizzo, publicado no Caderno Mulher da Folha da Tarde, no dia 09 de dezembro de 1978.
Fotos de Porto Alegre, onde quase tudo acontece na minha vida!

2 comentários:

{ Sexo c/ Amor? } at: 6 de julho de 2011 05:46 disse...

Maravilhoso este post! O texto, então, lindo demais. A Eleonora escreve com a alma, as fotos são ótimas. O latin Lover eu quero pra mim. beijo

Anônimo at: 6 de julho de 2011 06:00 disse...

Alice as fotos dizem tudo!!!Muito legal!
Gostei!
Beijos
Eleonora

 

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