Keblinger

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Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras

| domingo, 3 de julho de 2011

.. uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.  
Clarice Lispector




Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice Lispector


2 comentários:

Anônimo at: 4 de julho de 2011 19:14 disse...

Alice!!!
Muito feliz casar tuas fotos com Clarice!
Ela é demais...demais ao pé da letra
Demais de deixa a gente tonta de tanto ser..
Beijos
Eleonora

{ Os Olhos de Alice } at: 5 de julho de 2011 04:56 disse...

tonta é a palavra certa

 

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